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O processo de vendas na indústria brasileira é minoria dentro das próprias fábricas: um levantamento com 215 indústrias mostra que apenas 28% mantêm um processo comercial documentado e efetivamente seguido, enquanto 73% não têm follow-up estruturado depois da proposta enviada ao cliente.

O que este artigo aborda:

Profissional de vendas conversa com trabalhador industrial de uniforme laranja dentro de uma unidade fabril
Profissional de vendas conversa com trabalhador industrial de uniforme laranja dentro de uma unidade fabril
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Como está o processo de vendas nas indústrias brasileiras?

A maior parte das indústrias brasileiras opera sem um método comercial comum a todo o time de vendas.

O panorama das vendas industriais do Agendor, com 215 indústrias respondentes, separa o setor em três blocos.

Em 28% delas o processo está documentado e é seguido. Em 36% ele existe no papel sem ser cumprido, e 33% deixam cada vendedor usar o método próprio.

Processo escrito e não praticado equivale, na rotina, a não ter processo.

A soma dos dois últimos grupos mostra o tamanho da lacuna. Quase sete de cada dez indústrias dependem da memória e do critério individual de quem está na ponta.

O processo de vendas na indústria, quando existe apenas no papel, produz operações em que duas propostas semelhantes seguem caminhos diferentes, sem que ninguém consiga explicar por quê.

A medida que separa os blocos não é a existência do documento, e sim a adoção dele por quem vende.

Nos 36% em que o processo está no papel sem ser cumprido, a etapa seguinte de cada negócio continua sendo decidida pela pessoa que atende o cliente.

Por que o follow-up é o elo mais frágil da venda industrial?

O follow-up é a etapa que mais depende de memória individual e menos de rotina definida na venda industrial.

Entre as indústrias ouvidas, 73% não mantêm follow-up estruturado depois do primeiro contato comercial. Em 51,6% o retorno depende só da iniciativa do vendedor, e 21,4% respondem apenas quando o cliente procura. Somente 22,8% trabalham com frequência definida ou automatizada.

Os percentuais medem a quem essa etapa pertence. Em mais da metade das indústrias ouvidas o retorno tem um responsável único, que é o mesmo vendedor que atendeu o cliente. Nessas operações o funil de vendas industrial passa a refletir a agenda de quem vende, e não o interesse de quem compra.

A diferença entre o retorno automatizado e o retorno dependente de pessoa aparece na previsibilidade. No primeiro caso existe critério de frequência; no segundo, existe sorte.

O que separa a indústria que cresce da que recua?

A adoção real do processo comercial é o que mais distingue as indústrias em crescimento das que perderam receita.

Entre as que cresceram acima de 5%, 46% seguem o processo definido, contra 17% entre as que caíram na mesma proporção. O follow-up estruturado aparece em 35% do primeiro grupo e em 13% do segundo. O uso de CRM segue a mesma direção, com 70% contra 55%.

Prática comercialIndústrias em crescimentoIndústrias em queda
Processo documentado e seguido46%17%
Follow-up estruturado35%13%
Uso de CRM70%55%

As etapas de um funil industrial são conhecidas e estão descritas em qualquer material de gestão comercial. O que os números acrescentam é a medida da adoção: saber quais etapas existem não separa os dois grupos, praticá-las separa.

Essa é a leitura que muda a pergunta de um gestor, de como montar o processo de vendas na indústria para quem, dentro da equipe, sustenta esse processo todos os dias.

Por que a padronização parou antes da mesa de vendas?

A indústria padronizou o chão de fábrica, mas a mesma disciplina não chegou à área comercial.

Pesquisa da CNI com 1.002 empresas industriais, metade delas de pequeno porte, mostra que 69% dirigiram os esforços de inovação à melhoria de processos produtivos. O retorno mais citado foi o aumento de produtividade, com 38%. O acesso a novos mercados aparece bem atrás, em 21%.

A distância entre esses dois percentuais tem uma leitura direta.

Produzir melhor é um ganho que a fábrica captura sozinha; chegar a novos clientes exige uma estrutura comercial na indústria que funcione com o mesmo rigor da linha de produção.

O benchmark da indústria B2B da Atendare completa o retrato: 49,4% das empresas admitem processos apenas parcialmente documentados e 21,8% operam de maneira totalmente despadronizada.

Com um ciclo médio de 108 dias para fechar um negócio, cada etapa não registrada do processo de vendas na indústria some no meio do caminho.

Em mais de cem dias de conversa, o que não está escrito depende de alguém lembrar.

Quem executa o processo de vendas em times comerciais enxutos?

Na maior parte das indústrias, o mesmo profissional prospecta, negocia e faz o retorno ao cliente.

78% das operações têm até dez pessoas na área comercial, segundo o mesmo levantamento. Em estruturas assim, prospecção e fechamento raramente têm responsáveis distintos. A média de 17 profissionais em vendas no B2B industrial esconde essa concentração nas empresas menores.

A divisão de funções é o ponto em que o processo de vendas na indústria costuma travar. Prospectar exige constância e volume de contatos; conduzir uma negociação técnica exige tempo e profundidade.

Quando as duas tarefas caem sobre a mesma pessoa, a primeira sempre perde para a segunda, porque a negociação tem prazo visível e a prospecção não.

O porte muda a divisão. Nas operações com até dez pessoas, a atribuição costuma ser por conta, com o mesmo profissional acompanhando o cliente da primeira conversa à proposta técnica. Em estruturas maiores, próximas da média de 17 profissionais do B2B industrial, a separação entre quem abre e quem conduz a conversa aparece.

A atribuição de responsabilidade tem três critérios observáveis na rotina comercial:

  • quem responde pela oportunidade em cada etapa do processo;
  • qual registro comprova que o negócio avançou;
  • qual prazo dispara o retorno ao cliente sem depender de lembrança.

O CRM aparece nesses times como o registro de quem fez o quê, e os números acompanham essa presença: 70% entre as indústrias que cresceram e 55% entre as que recuaram.

Representantes comerciais entram como canal adicional de vendas, com as mesmas etapas aplicadas às oportunidades que trazem.

Onde a formação de vendedores entra na conta do processo comercial?

Processo documentado só se sustenta quando existe alguém preparado para executar cada etapa dele.

Esse ponto ajuda a explicar a procura por profissionais especializados em uma única função comercial. A SalesLab, empresa de Curitiba, no Paraná, trabalha com a especialização de vendedores nas funções de SDR e de closer. O SDR concentra a prospecção, e o closer conduz a negociação até o fechamento.

A formação de closers qualificados parte dessa separação de papéis, que é a mesma exigida por um processo comercial escrito. Para a empresa, a área comercial é o núcleo do negócio, e cada etapa registrada supõe alguém treinado para executá-la.

Para o gestor industrial, os números fecham um retrato objetivo.

O processo de vendas na indústria está documentado e é seguido em 28% das operações, e a distância entre quem cresce e quem recua aparece na adoção, não no conhecimento das etapas do funil.

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